sábado, 25 de maio de 2013

Fotografias

Minha fotografia...

Art Prints

Espero que gostem... 
Parte dela pode ser vista aqui!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Leões a bordo

Este leão vem no navio connosco. Transportamos um circo de volta para o Continente (não é o Continente do Belmiro).



Uma vez, na Horta, a jaula dos leões estava no cais e eu quis tirar uma fotografia. Um dos motorman, romeno, que estava comigo, tão curioso como eu, decidiu ajudar-me.
Foi levantar o taipal para eu poder fotografar e ele ver o bicho.
Levantou o taipal e espreitou.
Tinha a cara do leão colada á dele, a espreitar também. O homem apanhou um susto de tal modo que caiu no chão e ficou a arfar com as mãos no peito, estava lívido.
O que eu me ri com essa cena. Hoje fui fotografar outra vez os leões mas desta vez não tive a ajuda preciosa desse motorman (ajudante motorista em português).

PS. fiquei a saber que os leões castrados não têm juba...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Vida de marinheiro...

Toda a gente sabe que a vida de marinheiro tem umas certas rudezas. Aquela imagem antiga do marinheiro "bon vivant" com uma namorada em cada porto cada vez mais pertence a um imaginário há muito passado.
Quem quer conhecer alguma coisa desta vida tem a tendência de perguntar quanto ganhamos e quando se apercebem que temos férias de um mês e meio depois de um embarque de 3 meses aí dispara a incompreensão, somos uns sortudos.
Muito recentemente deparou-se-me essa situação e a minha singela resposta foi que ás 17 quando alguém sai do emprego vai para casa e está com a família, nós vamos para o camarote e ficamos (no meu caso) com um alarme que a qualquer hora pode tocar, estou 24 horas de atenção e disponibilidade. Quando chega aos fins de semana, um trabalhador vai para casa e descansa dois dias, nós aqui continuamos na mesma rotina.
Mas estes casos e incompreensões já são rotina, já não respondemos nem ligamos. Só que há mais... há mais situações que se nos deparam e que temos de suportar, coisa que em terra as soluções sejam mais práticas.
No fim do embarque passado tenho a infelicidade de fazer uma chamada telefónica para casa e acabei por dizer as minhas últimas palavras á minha mãe no leito da morte, faleceu no dia seguinte, só quando o navio chegou a Lisboa consegui dar um salto e visitar a sua campa.
Já neste embarque o choque foi maior, enquanto navegava para os Açores recebi a pior chamada da minha vida, tinha morrido a minha neta mais nova. Não vou aqui descrever a dor que senti e sinto, as lágrimas que chorei e choro vou antes falar na decisão que tomei. Á chegada a Ponta Delgada podia ter apanhado o avião para Lisboa mas quando lá chegasse só iria encontrar a saudade, a cerimónia do enterro já teria acontecido. Como suporte da família decidi ficar a bordo até o navio chegar a Lisboa e eu poder abraçar o meu filho e a minha nora.
Não sou nem fui o herói desta história sem heróis apenas chamo a atenção da verdadeira dor da solidão que um marinheiro pode ter.
Agora, quando navego á noite olho para as estrelas e tento ver uma estrelinha brilhante lá no alto que me indique o caminho, o caminho da paz que a minha alma necessita.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

PESCAS

Vou escrever uma coisa que talvez esteja errada, não fui pesquisar, aliás, não sou nenhum pesquisador, considero-me mais um observador. Vou falar das pescas e do que observei no porto da Horta. Estava no cais á espera de uns contentores do circo que tinham uns leões e eu queria fotografá-los quando me apercebi de dois navios de pesca encostados ao cais. Um deles estava-se a armar para mais uma faina e tinha acabado de receber os seus tripulante, filipinos ou indonésios não sei mas asiáticos de certeza absoluta. O navio era espanhol e tinha a matrícula de Vigo, aliás, eram os dois navios espanhóis.
Pensei cá para mim, porque raio não temos nós navios destes a a operar aqui e têm de ser os espanhóis com marinheiros do outro lado do mundo? Ao menos empregassem pessoal local. Pesquisei o meu arquivo fotográfico por mais imagens, a ideia de escrever isto só me veio depois e por isso não tirei outro tipo de fotos, estava mais interessado nos leões. Descobri o que queria, as fotos das embarcações de pesca locais que eu costumava ver. As imagens são elucidativas da minha dúvida.
A ideia com que fiquei é que temos umas pescas destruídas, incipientes e somos totalmente pilhados pelos outros. Seguem-se imagens de embarcações de pesca captadas noutros locais nos Açores, nenhuma das embarcações é de longo curso ou do alto...
Depois de tirar as fotos aos leões e aos navios fui ao Continente comprar cherne e garoupa para alimentar a minha família. Para minha surpresa só havia salmão e sardinha na peixaria do Continente... E para que não pensem que ando a meter umas petas com a questão dos leões aqui vai:
By: Jimmy the Sailor – 28 de Outubro de 2012

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O espelho...

Estava no meu navio, numa dança de sai não sai, eu explico. De meia em meia hora mudavam os planos de saída do navio variando das 11 da manhã á 16 da tarde. Saímos por volta das 14:30, mas foi difícil. Como ía dizendo, enquanto espera a saída olhei para o rio (entenda-se Tejo) e vi esta triste figura a passar
O navio de investigação das pescas Noruega. Este navio foi-nos oferecido pela Noruega há já um bom par de anos (princípio dos anos 80 se não estou em erro) para investigarmos e assim melhorar as nossas capturas. Ainda me lembro, jovem oficial de máquinas, em como gostaria de o tripular. o facto de ir com muitas passageiras biólogas também era um argumento de peso. E a vida neste país continuou.... entrámos para a CEE... subsidiou-se o abate de embarcações de pesca... alienaram-se companhias centenárias... abandoram-se rotas e mercados .... venderam-se frotas inteiras... E o espectáculo passou a ser este, o navio Noruega já velhinho, a reboque, já sem forças para nada. O espelho da nossa marinha mercante, da nossa pesca, da nossa actividade do Mar.
Tive pena, muita pena.....

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O estertor de uma companhia

Navio "Viseu" da Naveiro parado em Leixões. Como este está toda a frota, como foi possível chegar a esta situação? Tenho visto um ou dois parados em Lisboa e sei que os outros também estão pois perderam a certificação para navegar / operar. Não fiz nenhum estudo nem pesquisa mas sei que começou com a falta de pagamentos aos tripulantes e em simultâneo a detenção consecutivas de vários navios por não corresponderem á legislação em vigor. Os tripulante fizeram queixa á ITF o que acelerou mais o descalabro. A empresa de "Manning" (tratava da gestão da tripulação) desvinculou-se do contracto e fechou as portas. Eu convivi alguns anos com a Naveiro pois estavam mesmo ao meu lado. Cheguei a embarcar duas vezes nos seus navios para se resolver uma pontual falta de chefe de máquinas. Com essa minha experiência não fiquei surpreso com o que está a acontecer á empresa. A Naveiro era a maior companhia portuguesa de navegação, tinha (tem) 12 navios e o seu director aspirava chegar aos 20. Apenas digo, os empresários nacionais de navegação têm de compreender que para fazer as omeletes têm que partir os ovos, têm que os usar. Tenho pena das tripulações que agora estão na expectativa de nada, tenho pena dos trabalhadores do escritório pois esforçavam-se com as condições que lhes eram impostas e que agora estão a sofrer o espectro do desemprego. Jimmy The Sailor

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Santorini - O ferry dos Açores

Começo por transcrever uma notícia do Expresso:
""".......
Ponta Delgada, 04 jun (Lusa) - O navio de passageiros 'Express Santorini', que realiza o transporte de passageiros e viaturas entre as ilhas dos Açores, sofreu hoje uma avaria que o obrigou a regressar a Ponta Delgada.
A avaria, segundo revelou Carlos Reis, presidente da Atlanticoline, ocorreu "numa linha de combustível", quando o navio seguia de Ponta Delgada para a Praia da Vitória, na ilha Terceira.

...."""

E publico então uma fotografia por mim tirada a 21 de Maio ao mesmo navio, Santorini" onde se nota uma fumarada indecente a sair da chaminé. Uma "fumarada" destas só mostra que as máquinas estão a "queimar" mal. Por muito menos já fui pressionado pelas autoridades locais (não aqui nos Açores).


 Aqui pode-se ver o Santorini e cobrir o paquete com fumo negro, os turistas devem ter achado isso "very typical"

Estava em manobras na casa da máquina e não vi mas contaram-me que hoje quando saiu de manhã (e voltou com a avaria) largava mais fumo negro que um navio de guerra da WW1 em manobras de cortina de fumo....

E continua um ferry novinho a apodrecer apenas porque não fez mais um nó (milha por hora), a apodrecer sem proveito para ninguém.