quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Crónica de uma docagem (parte IV e final)

Doca de Alcabideche 2014-09-18  22:34

Saído da doca já há uns tempos e em pequenas reparações e afinações no propulsor de bombordo.
Os danos da grande intervenção afectaram especialmente o sistema de controle do passo que não é executado de forma original causando um trabalhar irregular.
Estando já na terceira intervenção por empresa externa na afinação do funcionamento do propulsor nota-se um aumento de potência mas a irregularidade mantem-se temendo-se que o dano seja irreversível. Embora a situação não se mostre promissora nesta questão da irregularidade continuam-se com as acções de manutenção com vantagens inquestionáveis para o navio.

Espera-se que depois da inspecção no final do mês esteja pronto para entrar em operações.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Crónica de uma docagem (parte III)

Doca de Alcabideche 2014-05-29 03:30

Confirma-se os tempos de trabalho do gerador de portos, não mais do que três horas, depois disso vêm sempre uma série de alarmes no propulsor de BB.


Com o reinício da navegação toda a linha afectada sobreaquece e entra em alarme. Mesmo com a inclusão de novos supressores de ruído nas linhas de instrumentação os sinais continuam a aparecer. Aparentemente o novo trabalhar do propulsor vais provocar algumas erosões que se auto reajustarão. Até lá todo o processo será moroso e de grande instabilidade tanto nos alarmes como no funcionamento. Vai ser um processo semelhante a uma rodagem com a desvantagem de um processo de transmissão de sinal disfuncional e de recuperação lenta. As peças não podem ser substituídas pois o seu fabrico foi há uns tempos descontinuado mas pode-se alterar a programação dos controladores de modo a aliviar a situação.


Teme-se que nos próximos tempos o relatório sejam todos semelhantes e por isso deixarão de ser diários. Não há necessidade de intoxicar os registos com informação redundante.


Em caso de necessidade poderei sempre responder a questões sobre a situação.


Bordo, 29 de Maio de 2014, ás 04:05.




Doca de Alcabideche 2014-05-28 05:00


Decididamente o gerador de portos está programado para só funcionar 4 horas e depois disso entra em auto shutoff ficano o gerador prinipal ao quadro.


As provas de mar em águas restritas foram bastante satisfatórias quase sem alarmes no propulsor de BB. Aliás tem-se feito um esforço para equalizar as potências dos propulsores de modo a não afectar a estrutura.


Neste momento ligeiro mau funcionamento do propulsor de BB que obriga a que se esteja presente na casa da máquina para manter os sistemas sob vigília. Este pequeno mau funcionamento e respectivo alarme deriva do atraso no fornecimento de aditictivos e atenuadores de ruído nos sinais da instrumentação, ruptura de stock no fornecedor.


A reparação efectuada na canalização principal das cablagens da instrumentação está em boas condições tendo já sido retiradas as abraçadeiras que mantinham a soldadura em posição, estando neste momento em observação podendo dentro de 24 horas ser decapada e pintada.


A sociedade classificadora recomenda mobilidade reduzida e alguma navegação costeira não podendo ultrapassar as 6 milhas de costa. Interdição completa de movimentação e transporte de carga mantém-se.


Uma vez que a operacionalidade comercial se encontra inibida aproveitam-se os sistemas para reorganização e gestão de fluxos de informação, actividade esta constantemente vigiada pelas autoridade portuárias e guarda fiscal para detecção de transporte de carga ilegal.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Crónica de uma docagem (parte II)


Doca de Alcabideche 2014-05-27  11:00

Gerador de porto começou a trabalhar sem problemas e naturalmente mudado para o gerador principal de forma natural.
Começou-se a navegação em águas restritas mas já provocou queixas das autoridades portuárias por estar a provocar forte ondulação nas margens.
Ainda existem alguns alarmes no propulsor de BB mas segundo técnico do fabricante são apenas problemas de sinais na instrumentação e por isso passar a fazer a monitorização através da instrumentação local.
Alteração nos timings e tipo de operações de manutenção.
Restante equipamento em funcionamento normal.



Doca de Alcabideche 2014-05-27  04:00

Após revisão pela sociedade classificadora feita no dia anterior o inspector retirou as protecções á soldadura para inspecção á sua qualidade e estrutura. Passou no teste de qualidade.
Foi emitido o certificado de navegação em águas restrictas o que deixou o armador bastante satisfeito.
Reavaliadada toda a dosagem dos tratamentos químicos aos combustíveis, águas de caldeira e dos propulsores.
Reforçados os settings para melhor funcionamento do gerador de portos com resultados já evidentes.
Aconselhada a locomoção em águas restrictas com ajuda de rebocador em caso de necessidade especialmente nas largadas e / ou atracações. Quando atracado já pode levar o trim até aos 90º sem dano para a fractura reparada.
Aconselhado o reforço de potência no propulsor esquerdo a fim de não causar danos estruturais ao navio.
Embora com certificado de navegabilidade em águas restrictas mantém-se a proibição de navegabilidade com qualquer tipo de carga. Não aconselhado o abastecimento de bancas em grande quantidade para não aumentar muito o deslocamento.
Diminuição da utilização de supressores de ruído nas electrónicas pois causavam o aparecimento de ecos falsos no radar e baralhavam as cartas do ECDIS.
O comandante fez curso de "refresh" na operação e manutenção do navio. O chefe de máquinas obrigado a cumprir os planos da superintendência e obrigado a utilizar melhor os equipamentos.
Aprovadas as operações de lightering desde que não cause esforço estrutural.
Recomeça-se a desenhar no futuro capacidade de navegabilidade e operacionalidade.



Doca de Alcabideche 2014-05-26  06:30

Os tempos de trabalho do gerador de portos continuam muito curtos começando a causar stress nos geradores principais.
Continuam os problemas no propulsor de BB notando-se esforço e sobreaquecimento dos mesmo. Os níveis dos sinais de feedback na instrumentação do propulsor de BB estão muito altos chegando a críticos obrigando a utilização de supressores de sinal cada vez menos intervalados.
Devido ás várias intervenções nos diversos sistemas começam a aparecer corrosões na principal tomada de combustível começando as operações de bancas a ser desconfortáveis.
Apesar das dificuldades do turno da noite o estado geral do navio durante o dia é a de uma embarcação já com um certo uso mas pintado de de fresco e ainda poderia fazer uns cruzeiros.
Hoje ao fim do dia terei inspecção da sociedade classificadora tendo grande expectativa na renovação de alguns certificados.



Doca de Alcabideche 2014-05-26  04:00

Paragem do gerador de portos muito prematuramente provocando o aparecimento de informações erradas e contraditórias nos monitores da casa da máquina tendo sido muito difícil destrinçar a informação real da totalmente irreal.
Neste momento o chefe de máquinas está sentado na sala de controlo tentando destrinçar a informação e tentar mais tarde o lançamento do gerador de porto.
(as luzes na casa da máquina estão com falhas e a abanar provocando o aparecimento de imagens fantasmas prejudicando o raciocínio e respectivas tomadas de decisão)



Doca de Alcabideche - 2014-05-25  05:00

Finalmente o gerador de portos trabalhou a noite quase toda. Teve que ser substituído pelo sistema geral devido a alarme persistente no propulsor de BB.
Este propulsor tem dado alguns problemas entrando em alarme várias vezes. Não se encontrando anomalia externa presume-se que a instrumentação esteja danificada ou então o controlador esteja com problemas com os parâmetros de programação.
Os restantes sistemas encontram-se em estado razoável embora alguns comecem a dar sinal de desregulação sendo o piloto automático um deles, uma certa dificuldade em manter um rumo constante.
Devido á imobilização forçada o quadro principal da automação entra em aquecimento excessivo e começa com comportamentos erráticos.
Aguarda-se visita da sociedade classificadora no próximo dia 26 esperando-se que sejam autorizadas provas de mar.

sábado, 24 de maio de 2014

Crónica de uma docagem

No post anterior descrevi um acidente que sofri no meu último embarque ficando a descrição limitada até ao momento do desembarque e ida ao hospital.
Os doze dias que sofri até ser operado e respectiva recuperação no hospital são questões médicas que resumo simplesmente dizendo que a operação foi de urgência pois já tinha uma excrescencia calcificada a danificar a medula.
Os textos seguintes são um modo de ver uma recuperação, os primeiros dias não estão descritos por falta de informação fidedigna, leia-se, estava com uma moca de primeira. Foram textos publicados no FB e agora para aqui transcritos.


Doca de Alcabideche - 2014-05-19

Upadate da minha docagem.
Depois de ter sido posto fora da doca seca e depois de ter exagerado numas provas de mar a sociedade classificadora caçou-me o certificado e mandou-me para cais de espera com algumas fracturas numas soldaduras feitas na conduta de passagem dos cabos de instrumentação.
Devido a avaria em vários cabos de sinais o sistema apresenta bastante ruído afectando a máquina propulsora de BB.
O sistema de monitorização do propulsor de BB está bastante instável alarmando muitas vezes, especialmente quando em condução desatendida á noite.
A inclusão de filtros e supressores de ruído na cablagem está a ter um efeito relativo.
Aguarda-se visita das seguradoras e sociedade classificadora para se efectuar avaliação da operacionalidade.



Doca de Alcabideche - update de 2014-05-21

Continua-se em cais de espera.
Prolemas na passagem de energia para o geradorde portos, o sistema cai muitas vezes por instabilidade da automação.
Necessidade urgente de aumentar o tempo de trabalho do gerador de portos para manutenção do gerador principal pois começa a dar sinais de perda de potência.
Reforço na fixação de alguma automação de modo a que o sistema de portos não dispare. Felizmente que as transições entre sistema de porto e sistema principal se faça normalmente sem blackouts.
As reparações estruturais continuam em bom ritmo e aparentemente no bom caminho.
O propulsor de BB continua com comportamento anómalo e com potência reduzida.
Aguarda-se nova avaliação pela sociedade classificadora e especialistas das marcas.



Doca de Alcabideche - 2014-05-22 06:30

Continuo no cais em reparação. As autoridades portuárias decidiram aumentar o nível de fiscalização da qualidade das reparações e as vettings são constantes.
Devido a pequenas alterações climatéricas e por causa das correntes foi reforçada a amarração para garantir uma boa imobilização.
Melhoria nos settings do gerador de porto que já conseguiu funcionar 3,5 horas sem problemas.
Devido a reforço na automação o propulsor esquerdo perdeu um pouco de potência e ficou um bocado desgovernado, considerado problema pontual soluccionado facilmente com pequenos ajuste.
Sociedade classificadora satisfeita com resultados e provavel inspecção na próxima semana.



Doca de Alcabideche 2014-05-23. 05:20

O motor de portos não arrancou. Os técnicos têm tentado tudo até com substuição de fuel mas o gerador de portos recusa-se a arrancar. Problemas na automação que faz disparar os alarmes e não o deixa entrar ao quadro.
Durante a noite sistemas em red light, causa por apurar ma presume-se por bug na automação.



Doca de Alcabideche 2014-05-24. 02:30

Gerador de portos trabalhou duas horas e voltou a parar.
É imperativo que o gerador de portos funcione razoavelmente para a boa finalização das outras reparações.
Nos outros sistemas mantêm-se os mesmos problemas.
Alguma melhoria na generalidade.



Doca de Alcabideche - 2014-05-24 05:00

Durante operação de descarga de sewage grave anomalia nos giroscópicos afectando o heeling fazendo o navio adornar a angulos críticos.
Propulsor de BB continua com falta de potência e com alarmes no vermelho.
Problemas com os radares pois começam a dar muitos ecos falsos especialmente no período nocturno.
Espera-se pela mudança de turno das 08:00 para as operações de rotina.



Doca de Alcabideche - 2014-05-24 11:00

Com o turno da manhã o estado geral da instalação manteve-se estável.
Apenas o propulsor de BB continua a apresentar problemas especialmente no cardan anterior ao hélice em que as chumaceiras estão aquecer acima do admissível estando neste momento em alarme. Continua a dúvida se é a automação desregulada ou se existe mesmo dano no cardan.
A imobilização ao cais tem sido reforçada com mais uns cabos de amarração e a autoridade portuária tem feito inspecções constantes, foram já emitidas alguns autos de mau comportamento.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Acontece ás vezes.

No dia 25 de Abril de 2014, tendo o facto de se ter passado nesta data pura coincidência, desci cedo á casa da máquina para uma rápida intervenção.
No dia anterior tínhamos zarpado de Ponta Delgada rumo a Lisboa ficando a faltar duas viagens para o meu período de férias que se previa iniciar a 28 de Maio, mais uma coincidência de datas. Navegávamos há já umas horas quando ao dar a minha última volta pela instalação por volta das 23:00 noto um ruído estranho na parte de ré / EB do motor principal junto ao volante. Não descansei enquanto não descobri a origem. Apenas umas abraçadeiras que fixavam duas tubagens de drenos soltas e que provocavam o tal ruído, não era grave e poderia esperar pelo dia seguinte. Já não caí no erro de executar tarefas sozinho numa casa da máquina á noite.
No dia seguinte tomei o usual pequeno almoço ligeiro e dirigi-me á casa da máquina para fechar o ponto que tinha em aberto.
Chamei um dos ajudantes e pegando numas abraçadeiras de plástico dirigi-me á parte de ré da máquina. Chegando ao local expliquei ao ajudante o que se passava para ele poder perceber o problema causa e efeito, tinham passado por lá e não tinham reparado em nada e de seguida abaixei-me para fixar aquilo com a tal abraçadeira de plástico. Ia ser uma intervenção de recurso pois aquela área era perigosa, ao lado de um volante a rodar a 500 rpm.
Ao abaixar-me senti uma pontada dolorosa nas costas que me descia pela perna esquerda abaixo. Endireitei-me e tentei novamente mas a dor não o permitiu, dei então a abraçadeira ao ajudante para fixar os tubos com ordens de só voltar a tocar naquilo uma vez parados em porto.
Regressei ao camarote para ir á casa de banho e já não consegui sair. As dores tornaram-se incapacitantes e foi com um esforço muito grande que me arrastei para o sofá onde me deitei em posição fetal sobre a direita. Essa posição era a única que me deixava respirar sem gritar.
Passado uma hora e com um Clonix tomado as dores não diminuiam e tive de tomar a decisão de pedir ajuda o que se tornou extremamente penoso pois obrigou-me a deslizar para o chão e rastejar até ao telefone.
A partir desse momento só tenho ideia de dor, o navio tinha um rolo ligeiro que me incomodava imenso, a vibração no camarote era asfixiante e a minha posição fetal no sofá era a única que me dava um certo alívio.
No dia seguinte o comandante comunicou á companhia o meu estado, eu teria de desembarcar para pelo menos ir ao hospital. Quando as dores eram terríveis e insuportaveis pus a hipótese da evacuação mas só de imaginar o sofrimento de ir em maca até aos topos dos contentores para ser evacuado numa fracção de segundo pus essa hipótese de parte, eu nunca aguentaria estar deitado na maca de barriga para cima, vi isso quando fiz o Rx mais tarde no hospital.
Aguentei então até chegarmos a Lisboa tomando Clonix com Brufens com Ben-U-Rons, tudo o que dizia que era contra as dores só que talvez tenha espaçado demais as tomas.
Quando o navio se aproximava da barra de Lisboa e o sinal de telemóvel já era suficiente telefonei á minha mulher para me ir buscar e levar ás urgências do hospital de Cascais. Preferi esta solução para estar mais perto de casa e facilitar o apoio que a minha mulher me pudesse dar.
E assim desembarquei de urgência tendo sido operado de urgência á coluna doze dias depois, doze dias de Inferno na Terra.
Apenas a quarta vez que desembarco de um navio para ir para um hospital, a primeira em que fiquei impossibiltado de regressar ao meu navio e terminar um contracto.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Descendo á doca

Apenas um pormenor da descida a uma doca-seca. As escadas e o navio a seco, mostrando a dimensão.
Esta é uma doca pequena e o navio não é dos "grandes"


by: jimmy the sailor

Debaixo do navio

Numa "docagem" uma das situações que eu gosto é a de estar debaixo de um navio, sentir aqueles milhares de toneladas de aço por cima de mim. Claro que faz de um estaleiro a sua vida isso é corriqueiro. Para mim, que vou lá numa média de dois em dois anos é sempre uma sensação.

Uma pequena voltinha debaixo do Madeirense 3 em docagem na Naval Rocha em Lisboa.


Espero que "sintam" o mesmo que eu.

by: jimmy the sailor

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Passeio pelo convés.

Como já o tinha feito para a casa da máquina resolvi então fazer uma volta pelo convés. Saí para a proa pelo lado BB e regressei pelo lado EB.


Mais um pequeno apontamento da vida a bordo.

By: Jimmy The Sailor

Uma ronda pela casa da máquina

Todas as noites, antes de me deitar dou uma volta sumária pela casa da máquina, ver níveis e se está tudo em condições. Uma volta para eu poder dormir descansado.
Noutro dia ao faze-lo decidi levar uma pequena "action cam" e filmar a ronda. Dá uma pequena perspectiva do interior de uma casa da máquina.


Pequenos pedaços de vida a bordo apenas.

By: Jimmy The Sailor

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Transporte de peixes vivos

Nesta tirada Horta / Ponta Delgada / Leixões transportámos um contentor da empresa Flying Sharks carregado de tanques com peixes vivos para distribuir pela Europa.

O contentor e as mangueiras de alimentação de água do mar


Aquário / tanque de transporte de peixes

Comecei por conhecer uma realidade, a existência de uma empresa que segundo me disseram existem 6 no mundo e o seu trabalho. Conhecimento esse que foi complementado pelas explicações e conversas tidas á mesa com os dois colaboradores da empresa que connosco viajaram acompanhando e tratando da carga (Luis Silva e Rui Guedes). Desde já o meu agradecimento pela paciência e pelos ensinamentos.

Rui Guedes e Luis Silva tratando dos peixes

Não vou entrar em muito detalhes, o link do site da Flying Sharks, as imagens e a própria consulta á sua página no Facebook será sempre de muito melhor qualidade que qualquer bitaite eu possa aqui escrever. Da parte do navio apenas fornecemos energia e uma boca de água de incêndio (água do mar) para a manutenção dos aquários.

Finalmente um pequeno vídeo para uma vista geral das instalações, vídeo este feito com iPhone e sem a iluminação adequada.


O contentor foi hoje desembarcado em Leixões e seguiu viagem por camião até Espanha onde farão uma paragem técnica. Um pequeno detalhe, a viagem tem um percurso que tem em conta os vários oceanários para se efectuar trocas ou refillings de água dos tanques, a viagem tem um detalhe técnico muito interessante.

Continuação de uma boa viagem e que os peixes cheguem todos vivos ao seu destino.

By: Jimmy The Sailor

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Na Horta

Dia de muita chuva na Horta. No pontão uns pescadores lutavam com alguns xaréus, mais tarde um foi visto a assassinar uma moreia á pedrada. Pudera essas desgraçadas se apanham um dedo o seu dono ficará a ser o "9 Dedos". 
Chovia e tive que pôr o meu impermeavel cor de laranja para não me molhar muito, fui fotografar os pescadores e dar dois dedos de conversa. 


Mais tarde fui espreitar a nossa carga especial, um contentor de 40 ft com tanques cheios de peixinhos vivos. Uma exportação de peixes dos Açores para vários aquários deste mundo, o mais longícuo era na China. Desembarcam em Lisboa e segundo os tratadores serão cerca de 4 000 km até ao destino final. Não me peçam detalhes que não sei. Gostei foi de ver os aquários. 


Agora estou a navegar a caminho de Ponta Delgada e a testar a app Blogger escrevendo este post no iPhone. Sou muito moderno. 


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Cereais nos Açores

Ultimamente tenho notado grande movimento de graneleiros a desembarcar cereais em Ponta Delgada e na Praia da Vitória.

Deixo aqui um pequeno vídeo de uma dessas operações.


Porque escrevo sobre este tema e de uma coisa banal? Muito simples, a carne dos Açores é conhecida pela sua qualidade, qualidade essa derivada do facto de os animais serem criados no campo alimentando-se de pasto, sempre verde, daqui das ilhas.

O grande volume de cereias não deve ser concerteza para as fábricas de bolachas nem de de bolinhos, é de certeza para alimentar as três fábricas de rações na Praia da Vitória e outras para aí espalhadas. Essas rações que eu saiba não são exportadas, são para consumo interno. Algo me diz que a famosa carne dos Açores já não é o que era, é igual a todas as outras carnes por aí produzidas.
Já não falo do leite nem do queijo que concerteza deverá estar a sofrer uma alteração de qualidade.

Não é crime nenhum mas é bom que saibamos o que está a acontecer.

PS: Tinha escrito isto quando li a notícia sobre dois clandestinos encontrados mortos num graneleiro em Ponta Delgada.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Uma companhia que foi ao fundo

Venho agora regularmente ao porto de Leixões, passei a vir desde que comecei a trabalhar no Madeirense 3. Sempre que cá estou olho e fotografo algumas actividades portuárias, alguns filmes como por exemplo a saída de um paquete ou a movimentação da ponte móvel que diga-se de passagem está avariada.
Vou também fotografando alguns navios, diga-se de passagem que fotografar o meu navio já enjoa.
Com o decorrer dos tempos um dos navios fotografados tem sido o Coimbra da Naveiro, ponho a foto na minha página do Facebook, a Jimmy The Sailor e faço um curto comentário sobre ele e sua companhia. Ás vezes publico as fotos de outros navios da mesma empresa que aqui estão “encalhado”.

Passado um certo tempo torna-se penoso ver três navios, o Coimbra, o Viseu e o Silves parados e a apodrecer aqui no porto de Leixões, o Chaves está em Lisboa.





A Naveiro que chegou a ser a maior companhia de navegação portuguesa, tinha 12 navios, está neste momento parada, falida, estropiada. Como foi possível chegar a esta situação, uma companhia que sempre teve cargas e fretes?

Eu trabalhei para a empresa que fazia o manning da Naveiro, era o superintendente e chefe de máquinas do Galp Marine e assisti a muitos episódios nessa empresa, episódios esses que são típicos de uma gestão deficiente que levou a companhia á situação em que se encontra agora.
Não vou dizer que estava profundamente dentro dos assuntos de gestão da Naveiro, apenas digo que assisti e vivi situações que para mim são um indicador muito forte de uma gestão deficiente.

Quando o director se queixava que queria fazer uma “escola” de comandantes e logo a seguir correu com um que já bastante farto de ter blackouts nos canais do Norte de Europa se atreveu a dizer que pararia o navio até se resolver a questão. Esse não era com certeza a tal “escola” de comandantes que el queria formar, se calhar uma escola de “lambe-cus” (uma expressão pouco bonita mas demonstrativa e realista da ideia a transmitir).

Quando me pediram para fazer uma “perninha” no Leiria enquanto arranjavam novo chefe de máquinas pois o russo que lá estava ía desembarcar e não havia ninguém. Era para ser 2 dias e foram 2 semanas, saí na Holanda. Fui apanhar o navio ao estaleiro em Viana do Castelo, estava em reparação. A máquina principal tinha 4 cilindros (em 6) a perder óleo pelas juntas. A companhia retirou as 4 cabeças e substituiu as juntas. Eu perguntei porque não fizeram as 6 cabeças e resposta foi: ordens da companhia. Uma nota, se o motor é de grandes dimensões é compreensível mas quando é do tamanho de uma máquina de costura não se compreende pois a probabilidade de acontecer ás outras 2 é muito grande. Quando começaram a montar as cabeças notei que elas assim como saíram assim como foram montadas, nem limpas foram. Ordens da companhia.
Quando me apercebi que tinha de navegar naquilo para o navio não parar fui ver o resto. Tinham reparado a máquina do leme mas não tinham reposto os níveis de óleo. Exigi óleo de reserva. Apareceu-me o superintendente com uma lata de óleo comprado no Lidl (não foi mas parecia). Perguntei-lhe se o óleo era compatível com o que estava no tanque, encolheu os ombros.

Quando na empresa de manning se falava da qualidade das tripulações o director da Naveiro dizia que sabia bem o que se pagava lá fora por isso não pagava mais. As tripulações eram normalmente do leste, com um grande grau de alcoolismo em cima, os chefes de máquinas, apanhei dois, nem inglês sabiam. Os manuais estavam todos em inglês mas isso são detalhes.

O tal navio Leiria era o tal que só fazia blackouts, também apanhei um, fui ver as causas, li a informação do quadro de alarmes, procurei e ao fim de meia hora tinha descoberto um cabo eléctrico enrolado sem estar apertado com a porca de aperto, cada vez que com a vibração o contacto se desfazia provocava a paragem do gerador, fixei a ligação e até ao fim das 2 semanas de navio não tive mais nenhum blackout.

Quando descobri que os geradores só saiam do quadro por inversão, filmei a operação para mostrar o que se passava, e relatei á direcção técnica. A resposta que tive é que era assim que a GL queria. Eu expliquei que a GL queria essa função porque era o testo de saída dos geradores por inversão e não era assim que os geradores saíam do quadro. O Director técnico insistiu e eu disse que mantinha o relatório e que o problema era dele. Uma nota, o quadro eléctrico em questão tinha os componente DEIF iguais ao do Galp Marine onde eu era chefe. Eu conhecia o equipamento.

Era uma companhia que segundo se dizia nos “mentideros” tinha uma belíssima equipe de brokers que mantinham um bom fluxo de cargas.

Uma companhia que chumbava regularmente os Port State Control por inoperância das tripulações e maus funcionamentos técnicos.

Posto isto tudo eu fico surpreendido quando o Direcção culpava as tripulações pelo mau funcionamento dos navios logo pela companhia. Ele como chefe é que mantinha esse nível de tripulantes, foi ele que foi eliminando as tripulações portuguesas para as substituir por tripulações mais baratas e pior qualidade. Como dizem os americanos: “ You pay peanuts, You get monkeys!!”

Direcção técnica??? Fazia burrada por medo da Direcção geral segundo todos dizem. É verdade, o CEO deveria ter corrigido essa situação mas como era um arrogante e prepotente ficou cego á realidade e a direcção técnica teve falta de espinha dorsal, era mais fácil dizer que sim e ter o ordenado no fim do mes.

Tenho pena, olho para estes navios aqui abandonados e só vejo desperdício, tão típico do nosso país que não sabe aproveitar os nossos valores.
É apenas mais uma companhia de navegação que se afundou....



País de marinheiros..... talvez como este aqui que toma conta de um dos navios da Naveiro

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Fotos do SAR de 16-9-13



Search & Rescue com a FAP

No dia 16 de Setembro de 2013 enquanto chegávamos a Lisboa fomos abordados por um helicóptero que pediu a colaboração do navio (M/V Madeirense 3) para a execução de um exercício SAR.

Peguei no iPhone e filmei (na outra mão estava a máquina fotográfica):


By: Jimmy the Sailor

sexta-feira, 19 de julho de 2013

sábado, 25 de maio de 2013

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Leões a bordo

Este leão vem no navio connosco. Transportamos um circo de volta para o Continente (não é o Continente do Belmiro).



Uma vez, na Horta, a jaula dos leões estava no cais e eu quis tirar uma fotografia. Um dos motorman, romeno, que estava comigo, tão curioso como eu, decidiu ajudar-me.
Foi levantar o taipal para eu poder fotografar e ele ver o bicho.
Levantou o taipal e espreitou.
Tinha a cara do leão colada á dele, a espreitar também. O homem apanhou um susto de tal modo que caiu no chão e ficou a arfar com as mãos no peito, estava lívido.
O que eu me ri com essa cena. Hoje fui fotografar outra vez os leões mas desta vez não tive a ajuda preciosa desse motorman (ajudante motorista em português).

PS. fiquei a saber que os leões castrados não têm juba...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Vida de marinheiro...

Toda a gente sabe que a vida de marinheiro tem umas certas rudezas. Aquela imagem antiga do marinheiro "bon vivant" com uma namorada em cada porto cada vez mais pertence a um imaginário há muito passado.
Quem quer conhecer alguma coisa desta vida tem a tendência de perguntar quanto ganhamos e quando se apercebem que temos férias de um mês e meio depois de um embarque de 3 meses aí dispara a incompreensão, somos uns sortudos.
Muito recentemente deparou-se-me essa situação e a minha singela resposta foi que ás 17 quando alguém sai do emprego vai para casa e está com a família, nós vamos para o camarote e ficamos (no meu caso) com um alarme que a qualquer hora pode tocar, estou 24 horas de atenção e disponibilidade. Quando chega aos fins de semana, um trabalhador vai para casa e descansa dois dias, nós aqui continuamos na mesma rotina.
Mas estes casos e incompreensões já são rotina, já não respondemos nem ligamos. Só que há mais... há mais situações que se nos deparam e que temos de suportar, coisa que em terra as soluções sejam mais práticas.
No fim do embarque passado tenho a infelicidade de fazer uma chamada telefónica para casa e acabei por dizer as minhas últimas palavras á minha mãe no leito da morte, faleceu no dia seguinte, só quando o navio chegou a Lisboa consegui dar um salto e visitar a sua campa.
Já neste embarque o choque foi maior, enquanto navegava para os Açores recebi a pior chamada da minha vida, tinha morrido a minha neta mais nova. Não vou aqui descrever a dor que senti e sinto, as lágrimas que chorei e choro vou antes falar na decisão que tomei. Á chegada a Ponta Delgada podia ter apanhado o avião para Lisboa mas quando lá chegasse só iria encontrar a saudade, a cerimónia do enterro já teria acontecido. Como suporte da família decidi ficar a bordo até o navio chegar a Lisboa e eu poder abraçar o meu filho e a minha nora.
Não sou nem fui o herói desta história sem heróis apenas chamo a atenção da verdadeira dor da solidão que um marinheiro pode ter.
Agora, quando navego á noite olho para as estrelas e tento ver uma estrelinha brilhante lá no alto que me indique o caminho, o caminho da paz que a minha alma necessita.