Vésperas de Natal parados em Leixões a descarregar, íamos passar as Festas em Lisboa.
Aproveitei uma pausa para desenferrujar as pernas, necessito andar para manter isto mais ou menos funcional. Andando pelo cais vejo dois navios ali atracados de braço dado, já os conhecia, já lhes conhecia a história. Dois navios da extinta Naveiro, uma companhia que já se orgulhou de ser o maior armador português, como somos pequenos, uma companhia com 12 pequenos navio era o maior armador português.
A companhia caiu e se não morreu está moribunda com a extrema unção a ser-lhe ministrada. Só aqui em Leixões está parte da frota parada, abandonada, a apodrecer, 3 navios.
Andei por volta deles e fotografei-os, já sem pena, já sem mágoa, somos assim, um país de marinheiros...
O terceiro navio, o Coimbra está na outra extremidade do porto, não me apeteceu procurar nos meus arquivos a última foto dele deste ano, publiquei-a no Facebook, não vale a pena, este já é um assunto morto, moribundo.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Ás vezes apanhamos banho....
Nesta travessia de Lisboa para os Açores apanhámos mau tempo, já tem sido norma neste embarque, e eu gosto de filmar e fotograar o mar. No sábado de manhã tentei mas a surriada era muita e desisti. Á hora do almoço a espuma chegava á vigia da messe. Depois do almoço abrandou um bocado e fui para o exterior, subi umas escadas, firmei-me bem para o que viesse e comecei a filmar.
O resultado é o que se segue:
Á tardinha íamos tendo uma desgraça mas isso já é outra história. Não, não se passou comigo.
O resultado é o que se segue:
Á tardinha íamos tendo uma desgraça mas isso já é outra história. Não, não se passou comigo.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
O reboque do Hacinin Ahmet
Este navio já estava há já muitos e largos meses abandonado no porto de Ponta Delgada. Lembro-me da tripulação no ano passado a passar fome, sem dnheiro, sem apoios. O nosso imediato, Francisco Proença, organizou com permissão do comandante uma acção de ajuda alimentar aos homens.
Mais tarde o comandante foi interceptado pelas nossas autoridades, a tentar ir-se embora (fugir como disseram), no aeroporto. Foi levado de novo para o navio. Mais tarde as nossas actuantes autoridades lá deixaram a tripulação ir-se embora. Nunca percebi porque os retinham aqui no porto. Sem comida, sem dinheiro, sem combustível para as mais básicas necessidades eles estarem no navio ou não era a mesmíssima coisa. Coisas de autoridades, ás vezes difíceis de entender.
Hoje dia 5 de Dezembro de 2014 um rebocador vindo de Setúbal pegou no navio e levou-o. Tive a sorte de presenciar esse evento e filmá-lo.
Mais tarde o comandante foi interceptado pelas nossas autoridades, a tentar ir-se embora (fugir como disseram), no aeroporto. Foi levado de novo para o navio. Mais tarde as nossas actuantes autoridades lá deixaram a tripulação ir-se embora. Nunca percebi porque os retinham aqui no porto. Sem comida, sem dinheiro, sem combustível para as mais básicas necessidades eles estarem no navio ou não era a mesmíssima coisa. Coisas de autoridades, ás vezes difíceis de entender.
Hoje dia 5 de Dezembro de 2014 um rebocador vindo de Setúbal pegou no navio e levou-o. Tive a sorte de presenciar esse evento e filmá-lo.
Estava frio, estava vento e tive que andar depressa para apanhar o início mas consegui apanhar a manobra toda. Deve ser visível um pequeno detalhe que me surpreendeu, ficará para um post específico.
E assim lá se foi o navio embora.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Enquanto navego...
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O tempo melhorou mas a noite foi uma grande merda, de manhã quando me apresentei para o pequeno almoço a minha cara estava linda, o pessoal até comentou. Realmente dormi mal, dormi no sofá e acordei várias vezes, balanço e algumas dores. Estou a ficar um maricas de primeira. Também chamar de pequeno almoço á aquela coisa que tomo. Um pedaço de leite quente e café de saco que além de ser de qualidade duvidosa não tenho mesmo dúvidas sobre a qualidade da confecção, uma grande porcaria. O cozinheiro acorda, aquece o leite, faz o café de saco e "manda-se para o cavalo" e ás vezes quando a preguiça aperta re-aquece apenas o café do dia anterior. Saudades da velha marinha onde o pequeno almoço era de garfo para quem queria. Eu tomo esse horroroso café com leite porque é purgativo e faz-me despachar logo de manhã cedo todas as minhas necessidades, mais um sintoma de velhice e senilidade, falar das vezes e como vou á casa de banho. Acabo por comer ás dez, na hora chamada de "coffee time", este foi um hábito que transpus para casa. Acordar cedo, alimentar as feras, café com leite, caminhar e depois comer qualquer coisa estando pronto para as lides da casa, em casa sou um marido precioso pois trato de quase tudo da casa, isto não é só perseguir a pequena é ajudá-la também.
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(Extractos do meu texto "Crónicas")
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Pedaços de vida de um marinheiro.
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Pelo menos tenho projectos. Tenho saudades da vida. De sentir vida, de me sentir vivo. Aqui morre-se lentamente, desgastamo-nos, envelhecemos. Já perdi a paciência de aturar merdas, de aturar mentes distorcidas donas da verdade, coisas parvas e parvoíces. Cada vez tento mais viver e deixar viver, exprimo a minha opinião mas não tento impô-la, tenho apenas direito a ela. Os outros acham as suas opiniões como verdade absolutas, são tão pequenos na sua tacanhez.
Estou com saudades de paixões e amores. Tenho saudades da minha mulher, a minha paixão e o meu amor eterno. Tenho saudades dos meus novos amores e novas paixões, fazem-me viver. As mulheres são muito engraçadas e muito complicadas mas é aí que reside a sua graça.
Tenho saudades das minhas netas. Tenho saudades dos meus filhos. Sinto-me só e com poucas forças para aguentar. Vou ter que me suplantar, vou ter que cerrar os dentes. Para compensar vou ter muito pouco juízo, evitando magoar quem quer que seja. Colorir umas amizades. E continua a doer-me a cabeça. O pé grita por seu lado que ali está, chato e rezingão e eu que ature isto, eu que me ature a mim mesmo.
(Extracto das minhas Crónicas)
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Ainda cá está...
O Coimbra, navio da Naveiro ainda aqui está semi-enterrado á espera de soluções. Sei que uns navios da Naveiro tinham passado para a alçada do BES, coisas de contas não pagas e etc. Agora com a crise no banco é que isto não se vai mesmo resolver.
E tivemos nós uma marinha mercante.
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