segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Extracto de Crónicas...1



Vazio de tudo. Não consigo transpor nada embora o meu espirito transborde de emoções, pensamentos e desejos.
Estou novamente embarcado, estou sempre embarcado, morto de inanição, parado no tempo, á espera.
O tempo que escorre lentamente, vão ser mais dois meses, oito semanas de prisão, onde o que acontece é apenas trampa, merda de vida numa merda de um sistema podre que nada serve. Serve para que alguns, julgando-se grandes, actuem com soberba e incompetência. Já não me interessa, sigo a corrente e o que é necessário é chegar.
Lembro-me de uma vez ter dito que nestes sítios só ficavam os pobres de espírito e os que não tinham lugar em mais lado nenhum, ainda não sei qual a minha classificação. Apenas cá continuo sem mais lugar algum que me acolha. Sinto-me a morrer por aqui, a definhar e a morrer, lentamente entrando em degradação. Quando morrer nem necessário será a cremação, a degradação será tão total que só mesmo deitado fora sirvo para alguma coisa.

Extracto de "Crónicas de um tempo"

Sem comentários:

Publicar um comentário

Uma gaivota disse: