sexta-feira, 1 de maio de 2015

Saída do Hamburg

Saída de Leixões com ajuda de rebocadores


30 de Abril de 2015

domingo, 12 de abril de 2015

Action Cam

Jonas! Que fazes? Pergunta Jaime com preocupação vendo o seu colega indo para o convés.
Jonas estava armado de sua "action cam" e dirigia-se para o convés debaixo de uma tempestade brutal, o mar galgava o convés e varria-o de bombordo a estibordo arrastando tudo o que se encontrava solto. Já se tinham perdido vários bidões de óleo que tinham ficado mal estivados, os cabos que os peavam tinham rebentado. O óleo derramado, espalhado no convés agarrava-se pastoso e escorregadio ás chapas do convés esperando que uma vaga mais forte o arrancasse e o levasse para o mar. Pequenas peças de peamento encontravam-se espalhadas ao longo do chão marcando o fluxo da água do mar que tudo arrastava. Era um cenário de destruição a raiar o apocalíptico. O comandante já tinha reduzido a máquina e mudado o rumo para um de mais feição para aguentar a força da tempestade. O silêncio a bordo era sepulcral tal era a preocupação de toda a tripulação, o mar estava mesmo bravo e o navio não era novo.
Apenas Jonas não pensava assim, estava apaixonado pela fotografia e pequenos filmes, pequenas notas dizia ele. E esta tempestade era o momento tão esperado para a poder documentar com imagens. Mal apanhou uma aberta, equipou-se com a sua "action cam" e saltou para o convés para filmar a realidade de uma tempestade. Jonas era uma pessoa impulsiva, reconhecia e media o perigo mas gostava de o desafiar, aborrecia-o apenas o facto de fisicamente não estar nas melhores das formas mas isso não o impedia de seguir em frente com o seu projecto para no fim o exibir como um troféu, exibia-o com um sorriso de criança traquina.
Estava frio, o vento era gelado, carregado de farripas de água cortante, Jonas vestiu uma parka para se proteger, para proteger o peito do frio que se fazia sentir. Começou as descer as escadas que davam acesso ao deck analisando o comportamento da água, o seu objectivo era atingir a área entre os porões e ter acesso aos dois bordos do navio e poder escolher o que fornecesse melhores imagens.
Deu os primeiros passos em corrida e ficou com os pés encharcados, a água corria louca com uns bons centímetros de altura escorrendo pelas aberturas laterais, a água estava a entrar bem pelo lado de estibordo Jonas tinha que se apressar, os corredores laterais eram umas armadilhas mortíferas, numa viagem anterior um homem tinha sido arrastado e só não se perdeu porque conseguiu agarrar-se ao varandim. 
Escolhido o seu posto, uma zona protegida pelos grandes macacos hidráulicos para a abertura dos porões, escolhidos os pontos de apoio para se agarrar em caso de necessidade Jonas começou a filmar. Com grande desgosto o mar pareceu acalmar de repente, a água não subia, as vagas eram ralas, o navio seguia direito e nada acontecia. Jonas foi fazendo pequenas notas de filmagem mas as imagens obtidas eram nada, não conseguiam mostrar a força da tempestade.
O frio e os pés molhados começavam a incomodar mas Jonas não arredava pé quando se apercebe, lá á proa no navio se começa a desenhar uma vaga maior. Preparou a máquina, começou a filmar de imediato, mais tarde poderia cortar o que não interessava. Jonas usava uma haste para segurar a câmera de modo a que ela estivesse no corredor de estibordo mantendo-se abrigado atrás dos macacos. Ia espreitando para ver o andamento do mar quando de repente o navio dá um salto e inclina-se todo a estibordo fazendo com que uma vaga entrasse á proa e começasse a varrer tudo á sua frente. O impacto da água na máquina foi tremendo mas a haste aguentou mas a imagem vacilou ficando tudo submerso. Jonas ficou encharcado, a previdência de ter estado protegido e agarrado fez com que não tivesse saído pelos escoadouros a ré do deck.
Jonas tinha a imagem que queria mas sem baixar a guarda esperou por uma boa aberta e refugiou-se no casario.
Mal viu um membro da tripulação Jonas com um sorriso de menino traquinas foi mostrar o filme da sua última traquinice. Os sons de exclamação do pessoal ao ver as imagens eram música para o seu ego.
Mais tarde foi compor o seu filme e publicá-lo numa rede social. Estas coisas só têm piada quando são mostradas.  

quarta-feira, 1 de abril de 2015