quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Trabalhos na Máquina 2

Este foi um caso algo aborrecido que aconteceu numa das minhas viagens. Uma caldeira rebentou, não vou utilizar a palavra explodir porque não chegou a tal, apenas um tubo de vapor que rebentou e despejou as 20 toneladas de água (estava a 18 Kg/cm2 de pressão e a uma temperatura entre 300 a 400ºC) casa da máquina abaixo. Essa água a ferver passou a 3 metros do painel de controle da caldeira onde naquele momento estava parte de tripulação, eu encontrava-me junto ás bombas, dois pisos mais abaixo. Foram momentos de muita adrenalina na tentativa de suster os danos mas e desse episódio só vou referir uma cena que depois ainda fez rir o pessoal. Quando dei pelo acontecido corri escadas acima até ao topo da caldeira para a isolar e cortar o combustível. Logo no início da escadaria as gotas de água fervente que caíam queimavam a minha careca, tive que voltar atrás e, olhando em redor vi um caixote do lixo e usando a tampa como escudo subi as escadas. Mais tarde dizia o praticante:
- Não estava a perceber nada e mais confuso fiquei quando vi o 1º maquinista com a tampa do caixote de lixo na cabeça a correr pelas escadas acima….
Depois foram os trabalhos de recuperação da caldeira…

Abertura por onde saiu o fluxo de água e vapor, foi no interior que rebentou um tubo. Lá dentro era uma mistura de tubos e isolamento, lã de rocha, esmagada. Quando se iniciaram os trabalhos a caldeira ainda estava muito quente, levou mais de um dia a arrefecer, e estava cheia de pedaços de isolamento.

Aquele quadradinho foi o buraco principal por onde veio toda a força do rebentamento, por ali passaram 20 ton de água em muito pouco tempo.


Quando entrei lá dentro era este o aspecto, quando sai vinha-me a coçar todo devido ao isolamento.

 
Nesta foto podem ver ainda a água a ferver por cima da tubagem. Esses mesmos tubos que aqui se vêm estavam, na generalidade, em muito mau estado e a sua reparação foi difícil, bastante difícil mesmo. Forma três dias passados neste buraco e noutro do outro lado da caldeira tentando soldar os tubos rotos. Foram feitas umas oito reparações, oito tubos reparados. O maior foi aquele que vê na fotografia anterior. No primeiro dia as condições eram tão más que quando me encontrava lá dentro com o soldador estavam dois ajudantes no exterior a dirigirem jactos de ar comprimido para a nossa cara, para nos refrescar e dar ar puro pois a atmosfera estava cheia de pó de isolamento.

 
Um dos ajudantes filipinos saindo da abertura. Pode-se ver uma conduta de ar que foi posteriormente montada para arejar a área e ajudar a arrefecer.

Quando o trabalho acabou e depois da inspecção da caixa de fogo para ver se havia mais fugas de água pedi para me tirarem esta fotografia, estava rebentado.
Jimmy the Sailor 
Publicado no SOL na quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008 23:07

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Uma gaivota disse: